DriveWeb

UX Design e educação: entenda como elas se conectam – Folha Vitória

Educatech
O EducaTech é um portal que tem como propósito falar sobre assuntos relacionados a educação e tecnologia.
O conceito de Design da Experiência do Usuário (UXD – User Experience Design) é relativamente novo, principalmente para nós brasileiros. Apesar de especialistas reconheceram a existência da “experiência do usuário” há décadas (para alguns, séculos), o termo foi popularizado pelo professor de ciência cognitiva Don Norman, no início dos anos 1990.
Segundo o próprio, a experiência do usuário é toda a experiência que uma pessoa tem ao ter contato com um produto ou serviço – seja ele um aplicativo, site ou até mesmo algo físico, como comprar e montar um computador. Em outras palavras, estamos nos referindo a como as pessoas interagem com um produto buscando se há valor agregado, se cumpre a função esperada, se é fácil e agradável de manejar causando uma impressão geral positiva no consumidor. Para atingir tais pontos, os profissionais da área – UX Designers (que deriva o termo UX Design) – unem alguns aspectos para criar produtos com ampla adoção entre os usuários.
Para elucidar como a UX e UI (User Interface – Interface do usuário) são parte integrante do nosso cotidiano, podemos observar o design simples da página do Google. É o mesmo desde 1998, com apenas uma barra de pesquisa que permite rápido carregamento e uso sem nenhum tutorial. Além disso, tem as reproduções automáticas da Netflix, ou quando o cadastro em algum site é facilmente realizado com o botão “entrar com o Facebook”.
Não somente no meio digital, a inserção de UX vem ocorrendo em diversas áreas há anos, a ponto dos profissionais desse setor estarem entre os mais cobiçados no mercado. Segundo pesquisa realizada pelo Nielsen Norman Group, o número de profissionais da área de UX tem aumentado nos últimos anos. E não para por ai, há um potencial de crescimento exponencial nas próximas décadas, conforme gráfico abaixo.
Além do crescimento natural dessa área nas últimas décadas, a crise pandêmica causada pela Covid-19 mudou a forma como as pessoas se comportam. Muitos hábitos foram readequados para a esfera virtual, levando a um aumento na interação com produtos e serviços digitais (meio onde a experiência do usuário é fortemente trabalhada). Isso se dá, pois websites, aplicativos e programas computacionais tiveram sua demanda de uso aumentadas em nosso contexto. Isso necessita porque esses produtos são cada vez mais intuitivos e fáceis de usar.
Em essência, as aplicabilidades de UX se comportam da mesma forma em outros setores, pois o objetivo final é gerar envolvimento, retenção e uma experiência positiva no usuário. De acordo com a design de UX focada em educação, Pilar Strutin-Belinoff, “entender as necessidades dos alunos, professores e líderes escolares e desenvolver experiências educacionais que atendam a essas necessidades é o que há de mais moderno na área”.
Mas para Jacob Nielsen, o ensino superior é o nível em que as maiores mudanças são necessárias. Pois a aprendizagem continuada é fundamental em um mundo que muda com frequência.
Dito isso, as aplicações da experiência do usuário podem contribuir para alguns aspectos:
O primeiro contato dos alunos/pais com as escolas pode ser realizado por websites. Dessa forma, melhorar a experiência do usuário nessa plataforma pode ser um fator significativo na geração de alunos em potencial. Tornar as informações relevantes no website da instituição mais fáceis de serem encontradas e visualizadas. Ademais, criar uma presença online mais envolvente e agradável pode causar uma boa primeira impressão nos usuários e interessados nos seus serviços.
A plataforma ou o serviço online de uma instituição de ensino precisa focar em um ponto importante, a aprendizagem. Sendo assim, as soluções ofertadas nos serviços online devem ser amigáveis, intuitivas e objetivas. Tudo isso para direcionar todo o esforço do usuário apenas para a aprendizagem (que por si só exige certo esforço) ao invés de haver parte desse esforço direcionado para o enfrentamento de problemas com a tecnologia, como uma interface confusa ou lentidão do site.
Normalmente, a última coisa que um jovem quer é estudar ou desempenhar alguma atividade acadêmica. Muito disso é devido à falta de interesse por parte dos estudantes e desinteresse desencadeado pelas estratégias pouco atraentes dos modelos tradicionais de ensino. Assim, a experiência do usuário pode auxiliar na parte motivacional por meio de definição de metas, recompensas variáveis e metacognição baseada em feedback, proporcionando uma experiência de aprendizado mais envolvente para o aluno.
Empresas e aplicativos educacionais, como Khan Academy e Duolingo, incorporam a experiência do usuário em seus produtos. Elas aplicam técnicas de psicologia comportamental para criarem produtos mais eficientes na retenção das informações por parte dos alunos. Aulas curtas, testes frequentes, gamificação e revisões do conteúdo são projetados passo a passo para dar uma sensação de avanço na jornada do aluno.
É importante que as instituições de ensino apresentem acessibilidade para pessoas com deficiência (PCD), seja em modalidade presencial ou online. Dessa forma, a experiência do usuário PCD agrega ao desenho ou renovação de websites, plataformas e ferramentas para que sejam acessíveis a todos.
Além disso, cabe ressaltar que, durante a pandemia causada pelo Covid-19, vimos que problemas de acessibilidade não se limitam apenas às dificuldades humanas, mas também a problemas de suporte material, como conectividade com a internet, computadores domésticos compartilhados e dispositivos aquém do necessário para práticas online. Alguns dessas dificuldades podem ser desafios de UX e uma abordagem a partir do ponto de vista do usuário pode ajudar no solucionamento do problema.
A responsavidade é a adaptação que os elementos e o conteúdo de uma página online sofrem para adequar-se à tela do usuário. Muitas das nossas atividades cotidianas são desempenhadas por smartphones. O mesmo ocorre com alunos, professores e profissionais da educação. Logo, é importante que seja garantido um design responsivo para se ter a compatibilidade de um recurso com o maior número possível de dispositivos para não afugentar os clientes que interagem com o seu produto.
O crescimento do número de profissionais de UX é suportado pela demanda crescente do mercado. Conforme o levantamento feito pelo LinkedIn, em 2020, a habilidade de UX Design está entre as dez habilidades mais exigidas no mercado de trabalho contemporâneo.
Fica claro que a última década viu a importância da experiência do usuário crescer em diversos setores, como o financeiro e o da saúde, por exemplo. Apesar de antiquada, a educação não é exceção. Também nessa área os profissionais estão sendo contratados para:
Quando designers criam um novo produto, eles tipicamente colocam o usuário no centro do processo. Quando os usuários são alunos com foco em aprender, a junção entre o ensino/aprendizagem e design centrado na experiência se torna cada vez mais convergente.
A interação entre as duas áreas mostrou uma relação que tem dado muito certo e, recentemente, uma nova área que tem a UX Design como parte de seu cerne foi criada, a Learning Experience Design (Design da Experiência da Aprendizagem) – mas esse é um assunto para um outro artigo.
Veja mais conteúdos sobre educação e tecnologia no EducaTech.
*artigo escrito por Lorenzo Ferrari Assú Tessari, especialista em aprendizagem e metodologias de ensino e diretor e cofundador da Gama Ensino e da Anole.
O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *






É um canal que surgiu para dar protagonismo a qualquer iniciativa dentro da esfera educacional em âmbito estadual e nacional. O leitor do EducaTech, portanto, encontra textos analíticos, notícias, dicas e muito mais sobre a área de educação.
A LUMA, mantenedora do EducaTech, é uma startup capixaba de educação, que visa melhorar a vida das pessoas por meio do ensino individualizado. Usamos a Metodologia LUMA de Ensino Individualizado, que torna o nosso aluno protagonista do seu desenvolvimento.
Responsável institucional: Paulo Henrique de Abreu.
Responsável redação: José Renato Campos.
As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do Folha Vitória

source